Tether aposta em ouro digital e muda regras dos pagamentos globais

A nova estratégia da Tether com o XAUT levanta dúvidas sobre o impacto dessa integração entre criptoativos e consumo diário em mercados emergentes e grandes redes de pagamento.
O mercado de ativos digitais lastreados em ouro continua em forte expansão, ultrapassando a marca de US$ 5,3 bilhões em capitalização global. Esse avanço reflete a crescente busca por alternativas de proteção de valor em um cenário de maior incerteza econômica internacional.
Dentro desse segmento, a Tether consolidou posição de destaque ao responder por mais de US$ 2,6 bilhões desse total, reforçando sua relevância na emissão de instrumentos digitais vinculados ao metal precioso e na estruturação desse nicho em escala global.
A movimentação do setor também vem sendo impulsionada por novas soluções de pagamento que aproximam o ouro digital do consumo cotidiano. A integração entre ativos tokenizados e sistemas tradicionais de compra tem acelerado a adoção desses produtos em diferentes mercados.
Nesse contexto, a parceria entre a Tether e a Fasset introduziu um cartão de pagamentos conectado à rede Visa, permitindo a utilização de criptoativos em estabelecimentos físicos ao redor do mundo com conversão instantânea no momento da compra.
O funcionamento do sistema envolve a transformação automática do ativo XAUT em moeda fiduciária no instante da transação, passando por uma etapa intermediária em USDT antes da liquidação final no comércio, tudo em questão de segundos.
Além da funcionalidade de pagamento, o modelo também inclui incentivos financeiros, com cashback de até 6% em operações qualificadas. Os valores retornam ao usuário na forma de ativos lastreados em ouro, reforçando a lógica de acúmulo de reserva de valor dentro do próprio uso diário.
Outro recurso relevante é o arredondamento automático de compras, que direciona pequenas frações de cada gasto para aquisição contínua do ativo XAUT, permitindo que o usuário acumule exposição ao ouro de maneira progressiva e automatizada.
Segundo executivos da Tether, essa estrutura altera a forma como o ouro é percebido no sistema financeiro, deixando de ser apenas uma reserva estática para assumir um papel mais ativo dentro de pagamentos e circulação de capital global.
O presidente da companhia, Paolo Ardoino, destaca que a proposta amplia o acesso a transações sem barreiras geográficas, permitindo o uso de ativos digitais em compras do cotidiano, como supermercados e estabelecimentos locais, por meio de integração com aplicativos de pagamento.
Já a parceira Fasset atua fortemente nos mercados da Ásia e África, oferecendo infraestrutura para conversão rápida entre ativos digitais e moeda fiduciária, o que facilita a adoção em regiões com maior dependência de dinheiro físico.
De acordo com seu CEO, Mohammad Raafi Hossain, a empresa já movimenta cerca de US$ 32 bilhões anuais e tem como objetivo expandir o uso do XAUT em mercados emergentes, utilizando o cartão de pagamentos como ferramenta para ampliar o acesso do público geral a esse tipo de ativo.
O crescimento desse ecossistema ocorre em meio a uma demanda crescente por estabilidade financeira em regiões afetadas por forte volatilidade cambial e perda de poder de compra, impulsionando a adoção de instrumentos digitais com lastro em ouro.
Como parte dessa estratégia de expansão, a emissora do ativo anunciou a destinação de até US$ 1 milhão para reforçar programas de recompensas ligados às transações diárias, estimulando o uso contínuo da plataforma e consolidando sua presença no varejo digital global.