Receita Federal divulga dados das negociações de criptomoedas noBrasil

Após hiato, novos dados das negociações de criptomoedas no Brasil foram divulgados pela Receita Federal.
A Receita Federal do Brasil (RFB) retomou a divulgação dos dados informados por investidores brasileiros de criptomoedas após um intervalo de três meses sem atualizações públicas. As informações, que haviam deixado de ser publicadas em setembro de 2025, voltam a aparecer em janeiro de 2026, mas ainda se referem ao último período disponível, ou seja, ao nono mês do ano anterior divulgado pela autarquia.
Mesmo assim, para quem acompanha de perto o mercado cripto, os números apresentados pela Receita, com base em declarações de empresas do setor e dos próprios investidores, seguem sendo relevantes para a compreensão do cenário nacional. Os dados reforçam, por exemplo, o protagonismo das stablecoins no Brasil, que continuam superando o Bitcoin em volume financeiro negociado.
Queda no número de CPFs e CNPJs em relação a agosto de 2025
Segundo o levantamento, setembro de 2025 registrou 4.584.071 declarantes pessoas físicas (CPFs) e 92.132 pessoas jurídicas (CNPJs). O volume representa uma redução em comparação a agosto do mesmo ano, quando foram contabilizados 5.164.408 CPFs e 116.108 CNPJs, indicando uma desaceleração nas movimentações do mercado.
O relatório reúne dados provenientes de exchanges nacionais, de usuários brasileiros em plataformas estrangeiras com transações acima de R$ 30 mil, além de operações realizadas de forma direta entre pessoas, no modelo peer-to-peer.
A análise do perfil dos investidores também evidencia uma forte concentração masculina no setor. Em setembro de 2025, os homens responderam por 70,38% das operações realizadas e por 86,23% do valor financeiro declarado. Já as mulheres participaram de 29,62% das transações, mas concentraram apenas 13,77% do volume total investido.
Stablecoins mantêm liderança sobre o Bitcoin
Entre os ativos negociados, o Tether (USDT) liderou em volume financeiro no mês, com R$ 15,72 bilhões movimentados em 1,18 milhão de operações. O Bitcoin (BTC), por sua vez, apresentou maior quantidade de registros, somando 2,15 milhões de transações, mas com um valor total bem inferior, de R$ 2,46 bilhões. A stablecoin USDC destacou-se pelo maior número absoluto de operações do relatório, alcançando 2,42 milhões de transferências.
Outras criptomoedas relevantes também apresentaram volumes significativos. O Ethereum (ETH) contabilizou 901 mil operações, que totalizaram R$ 1,09 bilhão, enquanto a Solana (SOL) registrou 530 mil transações, somando R$ 668 milhões. Ativos como XRP, Litecoin (LTC) e Cardano (ADA) completam o grupo das criptomoedas mais buscadas pelos investidores brasileiros interessados em diversificar suas aplicações.