Banco Central inicia nova fase

Mudança envolvendo o Banco Central chama atenção do mercado e levanta dúvidas sobre impactos nas operações com ativos virtuais.
O Banco Central do Brasil deu mais um passo no processo de regulamentação das operações com ativos virtuais ao disponibilizar um ambiente de testes para o envio do documento C212, exigido no contexto do mercado de câmbio. A iniciativa, formalizada por meio do Comunicado BCB nº 44.851/2026, permite que instituições iniciem a adaptação técnica antes do início oficial da obrigatoriedade.
A exigência já havia sido estabelecida anteriormente pela Instrução Normativa BCB nº 693/2025, que prevê o envio mensal das informações a partir de maio de 2026. Com a liberação da fase de homologação, empresas e instituições financeiras passam a ter condições práticas de ajustar seus sistemas, revisar processos internos e garantir conformidade com as novas regras impostas pelo regulador.
Na avaliação de Thiago Amaral, sócio do Barcellos Tucunduva Advogados, essa etapa preliminar é essencial para evitar problemas futuros. Segundo ele, o ambiente de testes possibilita identificar inconsistências, validar rotinas operacionais e assegurar que todo o fluxo funcione corretamente antes que o envio se torne obrigatório.
Do ponto de vista técnico, os testes devem ser realizados por meio do Sistema de Transferência de Arquivos (STA), canal oficial de comunicação com o Banco Central. Para isso, é necessário solicitar acesso ao serviço SCAM0019 e, no caso de empresas que atuam diretamente com ativos virtuais, também ao serviço PSTA300.
Durante esse período, as instituições devem focar na verificação de permissões de acesso, na configuração adequada de seus sistemas e na validação completa do processo de envio e retorno dos dados. O fluxo inclui a transmissão do arquivo ACAM212, responsável pelo envio das informações, e a análise do ACAM213, que funciona como resposta após o processamento realizado pelo Banco Central do Brasil.
As diretrizes técnicas já estão disponíveis para consulta, detalhando todos os requisitos necessários para implementação. Para especialistas do setor, essa movimentação reforça o avanço na estruturação da supervisão regulatória sobre serviços relacionados a ativos virtuais no Brasil, especialmente no segmento cambial.
Ainda de acordo com Thiago Amaral, a adoção desse modelo de reporte tende a ampliar a capacidade de monitoramento do Banco Central, além de elevar o nível de transparência das operações realizadas pelas instituições. A expectativa é que a medida contribua para um ambiente mais seguro, organizado e alinhado às práticas internacionais no mercado de criptoativos.
Bitcoin ganha alerta inesperado

Em novo conteúdo, ‘Primo Pobre’ analisa Bitcoin sob uma perspectiva que levanta dúvidas e chama atenção de investidores iniciantes e experientes.
O Eduardo Feldberg voltou a movimentar o debate sobre criptomoedas ao publicar um novo conteúdo em seu canal no YouTube, no qual detalha diferentes formas de utilização do Bitcoin. Conhecido por simplificar temas financeiros, o influenciador inicia o material levantando uma provocação direta: afinal, o ativo digital serve apenas para especulação ou possui funções mais amplas no cenário econômico?
Ao longo do vídeo, ele organiza a explicação em três pilares principais, partindo do uso mais comum até estratégias mais sofisticadas adotadas por grandes instituições. O primeiro ponto abordado é a busca por lucro com a valorização do ativo — prática bastante difundida tanto no mercado cripto quanto em investimentos tradicionais. Nesse contexto, Feldberg explica que muitos investidores compram Bitcoin com a intenção de vendê-lo posteriormente por um valor maior, comportamento semelhante ao observado em ações, fundos imobiliários e até itens colecionáveis.
Apesar da popularidade dessa abordagem, ele faz questão de destacar os riscos envolvidos. Por se tratar de um ativo de renda variável, o Bitcoin está sujeito a oscilações constantes, o que significa que não há garantias de retorno. A possibilidade de ganhos elevados existe, mas perdas também fazem parte do cenário, exigindo cautela por parte de quem decide investir.
Outro aspecto relevante destacado no conteúdo é o papel do Bitcoin como proteção patrimonial. Nesse caso, o ativo é comparado ao ouro devido à sua escassez e independência em relação a governos. Segundo Feldberg, essa característica tem atraído não apenas investidores individuais, mas também grandes empresas e até países, que passaram a enxergar a criptomoeda como uma alternativa para preservar valor diante de crises econômicas e inflação.
Ele cita exemplos de adoção institucional, incluindo movimentos de países como Estados Unidos e China, além de empresas brasileiras como Nubank e Méliuz. Também menciona discussões no Brasil sobre a possibilidade de criação de uma reserva estratégica baseada na criptomoeda. Ainda assim, o influenciador recomenda equilíbrio, reforçando que o Bitcoin deve ser apenas parte de uma carteira diversificada.
Por fim, o criador de conteúdo aborda o uso da moeda digital como meio de pagamento. Ele destaca a praticidade de realizar transferências em qualquer horário, inclusive entre países diferentes, sem a necessidade de intermediários tradicionais. A tecnologia, segundo ele, reduz burocracias e pode diminuir custos em comparação com o sistema bancário convencional.
Mesmo já tendo utilizado soluções da Binance para compras do dia a dia, Feldberg alerta que esse tipo de uso deve ser analisado com cautela, principalmente por iniciantes. Sua estratégia pessoal é acumular Bitcoin pensando no longo prazo, enquanto utiliza outras criptomoedas para transações cotidianas, como a USDC e a BNB.
Ao encerrar, ele reforça que, independentemente da popularização como meio de pagamento, o Bitcoin tende a manter relevância global como reserva de valor. Assim como acontece com ativos tradicionais, seu principal papel pode não estar no consumo diário, mas na capacidade de preservar riqueza ao longo do tempo.
Receita Federal surpreende em evento internacional sobre criptomoedas

Durante encontro global, a atuação da Receita Federal chamou atenção ao revelar estratégias inéditas que podem mudar o combate a crimes com criptomoedas.
A atuação da Receita Federal do Brasil vem ganhando projeção internacional ao assumir um papel estratégico no combate a crimes financeiros envolvendo ativos digitais. Esse protagonismo ficou evidente durante a Conferência Regional promovida pelo GAFILAT, realizada na Cidade do México, que reuniu autoridades de 18 países da América Latina e do Caribe. O encontro contou com a participação de cerca de 120 especialistas, entre representantes de unidades de inteligência financeira, membros do Judiciário e promotores, além de executivos do setor privado.
Entre os destaques do evento esteve a presença inédita da Receita Federal como única administração tributária participante, reforçando a relevância crescente do fisco no enfrentamento à lavagem de dinheiro. A apresentação brasileira evidenciou como o uso de tecnologia avançada vem ampliando a capacidade de monitoramento e investigação, especialmente em operações envolvendo criptomoedas.
Um dos pontos centrais foi o detalhamento do Projeto Analytics, iniciativa baseada em inteligência artificial que permite o processamento de mais de 500 milhões de transações por ano. A ferramenta utiliza análise de redes complexas para identificar padrões suspeitos e rastrear movimentações financeiras. Durante a apresentação, o auditor-fiscal Pedro Augusto Frantz demonstrou, com exemplos práticos, como a integração entre dados fiscais tradicionais e informações extraídas de blockchain possibilita identificar os verdadeiros responsáveis por recursos ocultos.
O sistema já tem aplicação direta na detecção de fraudes sofisticadas, incluindo esquemas do tipo pirâmide, além de identificar corretoras de criptoativos que operam sem autorização no Brasil. Outro avanço relevante é a capacidade de mapear estruturas empresariais complexas no exterior, frequentemente utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar a rastreabilidade dos valores.
A adoção intensiva de tecnologia chamou a atenção de organismos internacionais e contou com apoio de entidades como a União Europeia e o Grupo de Ação Financeira Internacional. No mesmo evento, representantes de empresas do setor, como a Binance e a Bitso, participaram de debates sobre regulação e conformidade, ao lado de especialistas internacionais.
As discussões também abordaram a evolução das regras globais de transparência, com destaque para o Crypto-Asset Reporting Framework, desenvolvido pela OCDE. O modelo prevê a troca automática de informações entre países, com o objetivo de identificar os beneficiários finais por trás de carteiras digitais e estruturas offshore, ampliando o controle sobre operações transnacionais.
O avanço brasileiro não passou despercebido. A recente Portaria RFB nº 647 de 2026 foi apresentada como referência internacional ao estabelecer diretrizes para o uso de inteligência artificial na administração tributária. Trata-se de um dos primeiros marcos regulatórios no mundo voltados especificamente à governança de IA aplicada à fiscalização fiscal.
Como reflexo direto desse protagonismo, a direção do GAFILAT indicou, ao final do encontro, a intenção de propor formalmente a inclusão de administrações tributárias como membros da organização. A iniciativa reforça o entendimento de que a cooperação entre autoridades fiscais e órgãos de inteligência é essencial para enfrentar o avanço do crime financeiro global.
Com isso, o Brasil se posiciona não apenas como participante, mas como referência na construção de novas diretrizes internacionais, consolidando o uso de tecnologia e integração de dados como pilares no combate à lavagem de dinheiro e às fraudes envolvendo criptoativos.
Plataformas digitais falham na proteção de crianças

Apesar das regras do ECA Digital, as plataformas digitais ainda permitem que menores acessem conteúdos sem verificação adequada de idade.
Um levantamento inédito de 2025, intitulado “Práticas de aferição de idade em 25 serviços digitais usados por crianças no Brasil”, revelou que 84% das plataformas mais acessadas pelo público infantil não realizam qualquer verificação de idade no momento do cadastro. Entre os serviços analisados, estão aplicativos voltados para crianças, redes sociais, jogos online, serviços de mensagens, inteligência artificial generativa e marketplaces voltados a adultos.
O estudo mostra que apenas 4 das 25 plataformas exigem algum tipo de comprovação inicial, enquanto a grande maioria confia na autodeclaração do usuário. Plataformas voltadas especificamente para crianças, como YouTube Kids, adotam métodos ainda mais simplificados, como desafios matemáticos de soma, para estimar a maturidade cognitiva do usuário, sem qualquer comprovação formal.
Contexto legal e ECA Digital
Os dados refletem um cenário anterior à entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que passou a valer no Brasil na terça-feira (17). A nova legislação estabelece regras obrigatórias para proteção de crianças e adolescentes na internet, proibindo a simples autodeclaração de idade, exigindo mecanismos de aferição confiáveis e a supervisão parental como requisito para acesso a conteúdos e funcionalidades digitais.
Metodologia e participantes do estudo
O levantamento foi conduzido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) em parceria com o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). A versão preliminar foi apresentada durante o Seminário ECA Digital – Proteção de Crianças e Adolescentes: Perspectivas Globais e Multissetoriais para a Implementação da Lei, realizado em Brasília nesta quarta-feira (18).
Foram avaliadas 25 plataformas, incluindo serviços de vídeo, redes sociais, mensageria (como WhatsApp), inteligência artificial generativa (ChatGPT e Gemini), jogos online, marketplaces adultos (Mercado Livre e Amazon), sites de relacionamento e serviços de conteúdo adulto e apostas.
Verificação de idade: métodos e falhas
Entre os serviços analisados, 13 adotam o envio de documentos oficiais como forma de checagem. Outros 12 recorrem a selfies em foto ou vídeo para estimar a idade do usuário, enquanto algumas plataformas complementam a verificação com cartões de crédito, endereços de e-mail ou consentimento parental. Apenas os sites de apostas exigem verificação efetiva desde o cadastro, utilizando serviços terceirizados para garantir que o usuário tenha 18 anos ou mais.
Para redes sociais e mensageria, como Facebook, Instagram, X, YouTube, Discord e WhatsApp, a verificação no cadastro é praticamente inexistente. O acesso depende da autodeclaração, podendo ser liberado por autorização parental até que o usuário alcance 18 anos. Marketplaces adultos, por sua vez, aceitam a autodeclaração sem exigir checagem adicional, tornando a barreira etária pouco eficaz.
Supervisão parental e ferramentas de controle
Embora 15 das 25 plataformas ofereçam mecanismos de controle para pais e responsáveis, apenas uma pequena parcela vem ativada por padrão; 14 exigem que os adultos configurem manualmente a supervisão. Isso significa que a segurança depende inteiramente da iniciativa dos responsáveis, que precisam localizar, ativar e monitorar as ferramentas para garantir proteção efetiva das crianças.
A transparência das plataformas é limitada: apenas seis serviços publicaram relatórios com recorte sobre o Brasil, e apenas um detalha o cumprimento da política de idade mínima. Além disso, as regras de uso são frequentemente complexas, espalhadas em múltiplas páginas, fragmentadas, com links quebrados e muitas vezes sem tradução para o português, dificultando a compreensão dos usuários e responsáveis.
O estudo evidencia a necessidade de adoção de mecanismos mais rigorosos e padronizados de verificação de idade, bem como de maior transparência e supervisão ativa. Com a entrada em vigor do ECA Digital, as plataformas passam a ter obrigação legal de implementar controles efetivos, oferecendo um marco regulatório importante para a proteção de crianças e adolescentes na internet.
O CGI.br informou que em breve disponibilizará a versão completa do estudo, permitindo acesso detalhado a todos os dados e análises sobre a aferição de idade nas plataformas digitais mais utilizadas por crianças no Brasil.
Dario Durigan surge como novo nome forte na economia do governo

Mudança anunciada por Luiz Inácio Lula da Silva coloca Dario Durigan no centro das atenções em meio a movimentações políticas e expectativa sobre os próximos passos da equipe econômica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (19) uma mudança importante no comando da política econômica do país. Durante um evento realizado em São Paulo, o chefe do Executivo confirmou que Dario Durigan será o novo ministro da Fazenda, assumindo a pasta atualmente liderada por Fernando Haddad.
A confirmação ocorreu de forma informal durante a abertura da 17ª Caravana Federativa. Enquanto citava os nomes das autoridades presentes, Lula chamou Durigan e pediu que ele se levantasse, momento em que o apresentou publicamente como futuro titular da equipe econômica. Em tom descontraído, o presidente afirmou que, a partir de agora, muitas das cobranças relacionadas à área econômica deverão ser direcionadas ao novo ministro.
A troca no comando do Ministério da Fazenda acontece porque Haddad deixará o governo para disputar as próximas eleições. Mais cedo, o próprio ministro confirmou que deixará o cargo após mais de três anos à frente da pasta, embora ainda não tenha revelado oficialmente qual cargo pretende disputar no pleito.
Durante suas últimas declarações como chefe da equipe econômica, Fernando Haddad classificou o momento como simbólico em sua trajetória política. O ministro afirmou que o dia marcava o encerramento de um ciclo importante em sua carreira, após liderar a política econômica do governo federal nos últimos anos.
A saída ocorre em meio à expectativa de que Haddad anuncie sua pré-candidatura ao governo do estado de São Paulo. A possível confirmação deve acontecer ainda nesta quinta-feira durante um evento político ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva na cidade de São Bernardo do Campo.
Durante o evento em São Paulo, Lula também fez uma avaliação do desempenho da equipe econômica e destacou o papel desempenhado por Haddad no governo. Segundo o presidente, o atual ministro da Fazenda ficará marcado na história do país por ter conduzido a aprovação de uma reforma tributária aguardada há décadas.
De acordo com o presidente, a mudança no sistema de impostos representou um marco importante para a economia brasileira. Lula afirmou que Haddad será lembrado como um dos ministros da Fazenda mais bem-sucedidos da história recente por ter viabilizado uma reforma que permaneceu parada por cerca de 40 anos no Congresso Nacional.
Em seu próprio discurso, Haddad apresentou um balanço das políticas econômicas implementadas durante sua gestão. Ele destacou que os resultados recentes da economia brasileira foram possíveis graças à articulação entre o governo federal e o Congresso Nacional, além da cooperação entre União, estados e municípios.
Segundo o ministro, a reconstrução do pacto federativo teve papel fundamental nesse processo. Para Haddad, o diálogo entre diferentes níveis de governo permitiu avançar na correção de distorções históricas do sistema tributário e criar condições para um modelo de crescimento econômico que também buscasse ampliar a inclusão social.
Entre as medidas citadas por ele estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, mudanças na tributação que atingem rendas mais altas e o aumento de investimentos públicos. Na avaliação do ministro, essas iniciativas ajudaram a melhorar indicadores econômicos e fortalecer o ambiente fiscal do país.
A escolha de Dario Durigan para substituir Haddad reforça a continuidade da estratégia econômica adotada pelo governo. Atualmente secretário-executivo do Ministério da Fazenda, ele já exercia a função de principal articulador político da equipe econômica e era considerado um dos nomes mais influentes na condução das negociações fiscais com o Congresso.
Durigan ocupa o cargo de número dois da pasta desde 2023 e participou diretamente da formulação e articulação de várias propostas econômicas do governo. A expectativa é que, no comando do ministério, ele mantenha a agenda fiscal em andamento e dê continuidade às políticas econômicas implementadas nos últimos anos.
Antes de retornar ao setor público, Durigan atuou na iniciativa privada. Entre 2020 e 2023, foi responsável pela área de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, função exercida dentro da Meta Platforms, empresa que também controla plataformas como Facebook e Instagram.
Sua trajetória profissional, no entanto, começou no setor público. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo e mestre pela Universidade de Brasília, Durigan construiu carreira em órgãos do governo federal antes de ingressar na área de tecnologia.
Entre 2010 e 2011, ele trabalhou na Advocacia-Geral da União, atuando em projetos relacionados à gestão estratégica. Posteriormente, integrou a equipe da Casa Civil da Presidência da República como assessor jurídico entre 2011 e 2015.
Mais tarde, passou a colaborar diretamente com Fernando Haddad na administração municipal da São Paulo. Entre 2015 e 2016, exerceu a função de assessor especial durante a gestão do então prefeito.
Após essa experiência, Durigan continuou atuando na área jurídica no setor público. Até 2020, trabalhou na Consultoria Jurídica da União em São Paulo, período em que consolidou sua atuação em temas ligados ao direito público e à administração governamental.
Com a mudança confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica do governo passará a ser liderada por Durigan, que assume o Ministério da Fazenda em um momento de continuidade das políticas fiscais e de preparação para o cenário político das próximas eleições no país.
Bitcoin aparece em golpe milionário que acaba na Justiça em Goiás

Investigação revelou detalhes de um esquema envolvendo promessa de nova moeda digital inspirada no Bitcoin, que terminou com condenações e uma decisão surpreendente no tribunal.
Uma decisão da Justiça em Goiás colocou um ponto importante em um caso envolvendo fraude no mercado de criptomoedas que utilizava a imagem do Bitcoin para atrair investidores. Dois homens foram condenados por estelionato após convencerem um empresário a investir R$ 300 mil em um projeto que prometia lançar uma nova moeda digital no Brasil com potencial de retorno rápido.
A sentença foi proferida pela juíza Gryma Guerreiro Caetano Bento, responsável pelo julgamento na 3ª Vara Criminal da Comarca de Rio Verde. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (18), e a reportagem teve acesso ao documento que detalha as conclusões do processo.
De acordo com os autos, o plano começou a ser estruturado no início de 2018. O advogado identificado como Bruno e o empresário Paulo Almada apresentaram a proposta ao investidor como uma oportunidade de participar da criação de uma nova criptomoeda inspirada no sucesso do Bitcoin. O ativo digital, segundo a proposta inicial, receberia o nome de “Bitcoin Platinum”, denominação que posteriormente foi alterada para “Bitcoin Global”.
Para conferir aparência de legitimidade ao projeto, foi elaborado um contrato de mútuo financeiro, documento que formalizaria o investimento. Com base nesse acordo, o empresário transferiu R$ 300 mil diretamente para a conta bancária vinculada ao escritório de advocacia do próprio advogado envolvido no projeto.
Segundo a investigação, a estrutura do suposto empreendimento previa divisão de responsabilidades. Enquanto o advogado ficaria encarregado da parte jurídica do projeto, Paulo Almada assumiria o papel de responsável pela divulgação e pela área comercial. Conforme relatos apresentados no processo, ele costumava ostentar carros importados e alegava possuir influência política, estratégia utilizada para fortalecer a credibilidade da proposta e atrair confiança do investidor.
Durante as apurações, a Justiça constatou que uma parte significativa do dinheiro transferido nunca foi aplicada no desenvolvimento da criptomoeda. Mais de R$ 130 mil desapareceram sem qualquer comprovação documental de uso no projeto. Ao serem questionados pela vítima, os responsáveis passaram a apresentar justificativas vagas e o lançamento da moeda acabou sendo abandonado.
O processo também envolveu um terceiro investigado, o desenvolvedor Leopoldo Faria de Paula Silva, que acabou tendo um desfecho diferente no julgamento. Após análise das provas, a magistrada concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar que ele participou da fraude com intenção criminosa.
Conforme os depoimentos e documentos reunidos durante a investigação, Leopoldo atuava apenas na área técnica do projeto. Os registros indicaram que cerca de R$ 166 mil recebidos por ele foram utilizados na montagem da infraestrutura destinada à mineração da criptomoeda baseada no Bitcoin.
Entre os gastos apresentados estavam a compra de servidores, computadores e equipamentos de climatização, além da preparação de um apartamento alugado que seria utilizado como base para a operação tecnológica do projeto.
Ainda segundo o processo, a iniciativa não avançou porque a etapa final necessária para colocar a moeda em circulação nunca foi concluída. A criação de uma plataforma de negociação — conhecida como exchange — era essencial para que o ativo digital pudesse ser comercializado no mercado.
Essa responsabilidade, conforme apontado nos autos, caberia a Paulo Almada, que havia ficado com a parte restante do dinheiro investido. No entanto, o pagamento da plataforma não foi realizado, o que impediu a continuidade do projeto.
Com a absolvição do programador Leopoldo Faria de Paula Silva, apenas o advogado Bruno e o empresário Paulo Almada foram condenados pelo crime de estelionato. A juíza Gryma Guerreiro Caetano Bento fixou para cada um deles a pena de 1 ano e 2 meses de prisão em regime aberto, além da aplicação de 12 dias-multa.
Por atenderem aos requisitos previstos na legislação penal, os condenados tiveram a pena privativa de liberdade substituída por medidas alternativas. A decisão determinou o pagamento de uma prestação pecuniária equivalente a dois salários mínimos, além de uma multa adicional correspondente a um salário mínimo destinada ao Fundo Penitenciário do Estado de Goiás.
Os réus poderão recorrer da sentença em liberdade enquanto eventuais recursos são analisados pelo Judiciário.
Apesar do prejuízo financeiro significativo sofrido pelo investidor, o tribunal criminal optou por não estabelecer um valor mínimo de indenização no processo penal. A medida foi tomada porque a vítima já havia iniciado anteriormente uma ação na esfera cível para buscar a recuperação do dinheiro.
Esse processo paralelo já se encontra em fase avançada de execução, e o valor atualizado da dívida cobrada judicialmente se aproxima de R$ 1 milhão, considerando correções e encargos acumulados ao longo dos anos.
A reportagem tentou contato com os envolvidos para obter posicionamentos sobre a decisão judicial, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações das partes citadas no processo.
Guerra no Oriente Médio pode fazer com exportação de combustível brasileiro aumente

Expectativa é que a exportação de combustível brasileiro cresça nos próximos meses por conta da Guerra no Oriente Médio, mas setor alimentício deve ser afetado negativamente.
A guerra no Oriente Médio, principalmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, influenciou diretamente no preço do barril do petróleo. De acordo com Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a exportação de combustível brasileiro deve aumentar.
“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, disse Brandão.
Por outro lado, se a guerra no Oriente Médio pode influenciar beneficamente a exportação de combustível brasileiro, por outro, alguns setores devem sentir um impacto maior com os conflitos. O setor de alimentos deve ser um dos que mais vai sentir a queda nas exportações. Vale destacar que produtos como carne de frango e bovina, milho, açúcar e produtos halal (produzidos conforme as normas islâmicas) são vendidos ao Oriente Médio.
Em termos percentuais, segundo o Mdic, aproximadamente 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino o Oriente Médio. Já a participação chega a 30% no caso da carne de aves, 17% para o açúcar e 7% para a carne bovina. Ainda assim, Brandão diz que a queda será apenas momentânea e que a demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer e os fluxos tendem a se normalizar à medida que os conflitos diminuam.
Petróleo dispara após tensão no Oriente Médio

Especialistas alertam que a alta do petróleo pode gerar efeitos imediatos na inflação e nos mercados globais.
O mercado internacional de petróleo registrou fortes altas nesta segunda-feira (2), reagindo diretamente à ofensiva militar coordenada pelos Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. O ataque resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, além de outras autoridades de alto escalão. O temor de desestabilização na região elevou rapidamente os preços da commodity, refletindo a volatilidade típica em cenários de conflito geopolítico.
Por volta do meio-dia, o barril do petróleo Brent, referência global, era negociado em Londres próximo a US$ 79, registrando alta de aproximadamente 7,6%. Nos Estados Unidos, o WTI, índice de referência norte-americano, atingiu pouco mais de US$ 71 o barril, avanço de cerca de 6%. A movimentação ocorre em um mercado que opera praticamente 24 horas por dia nos dias úteis, ajustando cotações de acordo com o sentimento dos investidores frente a eventos econômicos e políticos.
No Brasil, o impacto das cotações internacionais também se fez sentir. Por volta das 13h, os papéis da Petrobras subiam 3,90% na B3, cotados a R$ 44,39, acompanhando a tendência global de valorização da commodity.
Especialistas destacam que a tensão se concentra no Estreito de Ormuz, rota estratégica ao sul do Irã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra cerca de 20% do transporte marítimo de petróleo e gás do planeta. Segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, qualquer interrupção na passagem teria efeito imediato sobre os preços internacionais. “É o principal fator que faz o preço do petróleo disparar. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai drasticamente e os valores sobem quase que de forma imediata”, explica.
O bloqueio parcial do estreito já se mostrou sensível no último sábado, quando centenas de embarcações permaneceram ancoradas, impossibilitadas de atravessar. O economista ressalta que a valorização do barril Brent, que chegou a subir 13% e superar US$ 80, reflete a extrema volatilidade do mercado em tempos de conflito e deve manter os preços elevados enquanto a situação permanecer instável.
Do ponto de vista logístico, Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval, reforça que o principal risco não é a produção em si, mas o transporte da commodity. Ele observa que a Opep+ anunciou aumento da produção para compensar possíveis interrupções, e que a organização possui capacidade ociosa suficiente para suprir o Irã caso seja necessário. Contudo, segundo Oliveira, qualquer conflito na região, dada a estreiteza do Estreito de Ormuz, pode interromper o fluxo global de petróleo com impacto imediato nas cadeias produtivas. “Mesmo o Brasil, produtor de petróleo, poderia ser afetado, já que depende da importação de derivados que ficariam mais caros”, afirma.
O aumento nos preços do petróleo pode refletir diretamente na inflação global. Sartori aponta que, caso o conflito se prolongue, a escalada das cotações deve levar ao repasse de custos aos consumidores, provocando um “repique na inflação”. A instabilidade também pode afetar decisões de política monetária no Brasil: Oliveira não descarta que a alta do preço da commodity possa reduzir a magnitude do corte de juros previsto pelo Copom, que atualmente mantém a Selic em 15% ao ano. A expectativa inicial era de recuo de 0,50 ponto percentual, mas a alteração pode ser mais tímida, em torno de 0,25 ponto percentual, como forma de conter pressões inflacionárias.
Além do petróleo, o dólar registrou alta nesta segunda-feira, interrompendo semanas de queda que levaram a moeda norte-americana ao menor valor em 21 meses. Próximo do meio-dia, a cotação do dólar era de R$ 5,20, avanço próximo a 1%. Oliveira explica que o movimento reflete a chamada “fuga do risco”, quando investidores transferem recursos de mercados emergentes, considerados mais voláteis, para ativos mais seguros, como o próprio dólar e moedas de refúgio, como o iene japonês. Sartori complementa que, apesar da volatilidade, o dólar não apresenta mais a valorização abrupta observada em crises anteriores e deve oscilar na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25 enquanto o conflito persistir.
Previsão de inflação recua para 3,95%

Previsão de inflação apresentou recuo e previsão do PIB se manteve estável.
A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 3,97% para 3,95% em 2026. O dado consta no boletim Focus divulgado nesta quarta-feira (18), levantamento semanal do Banco Central (BC) que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.
Para 2027, a estimativa de inflação permaneceu em 3,8%. Já para 2028 e 2029, as projeções indicam variação de 3,5% em ambos os anos. Pela sexta semana consecutiva, houve redução na previsão da inflação para 2026, que segue dentro do intervalo estabelecido pela meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a desaceleração da inflação e a queda do dólar, o comitê manteve a taxa inalterada pela quinta reunião consecutiva, decisão tomada no fim de janeiro.
Esse patamar é o mais elevado desde julho de 2006, quando os juros estavam em 15,25% ao ano. Em comunicado, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar cortes na taxa a partir da reunião de março, desde que o cenário inflacionário permaneça estável e não ocorram surpresas na economia.
PIB e câmbio
Ainda de acordo com o boletim Focus, a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,8%. Para 2027, a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) também permanece em 1,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de expansão de 2% em ambos os anos.
Impulsionada pelos setores industrial e agropecuário, a economia brasileira avançou 0,1% no terceiro trimestre de 2025, resultado considerado de estabilidade pelo IBGE. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para o dia 3 de março.
Criptomoedas crescem trilhões no Brasil

O mercado P2P mostra por que a Binance domina grande parte das transações e como isso impacta investidores de criptomoedas.
O mercado peer-to-peer (P2P) de bitcoin e outras criptomoedas no Brasil alcança volumes impressionantes, movimentando cerca de US$ 2,22 trilhões. Um levantamento recente da Crystal Intelligence, divulgado nesta terça-feira (17), identificou 1.641 anúncios ativos distribuídos em nove plataformas, mostrando a força e a relevância desse setor no país.
O controle do mercado é concentrado, com a Binance à frente, respondendo por 45,1% de todas as ofertas disponíveis. A Paxful ocupa a segunda posição, com 19,1%, seguida pela Noones, que representa 14,3% do total. Corretoras menores disputam a fatia restante, mas enfrentam desafios para ganhar relevância frente às líderes do setor. Juntas, as três maiores plataformas concentram 78,5% de toda a atividade P2P nacional, evidenciando a forte centralização do mercado.
Essa concentração impacta diretamente a dinâmica de preços e o acesso de milhões de investidores. Empresas menores, como ByBit e OKX, têm participação limitada e encontram custos mais altos para competir, enquanto os players dominantes moldam grande parte das negociações.
Pix e USDT dominam transações
No país, o Pix se tornou o principal método de pagamento em negociações de criptomoedas, figurando em cerca de 80% dos anúncios monitorados. Sua rapidez e liquidação instantânea tornam o mercado P2P altamente eficiente e competitivo frente às exchanges tradicionais. Paralelamente, a preferência dos investidores recai sobre moedas estáveis: o USDT lidera com 46,2% de todas as transações, garantindo paridade com o dólar, proteção do poder de compra e facilidade para transferências de valor.
Segundo Zuzanna Kolucka Maeji, Diretora Associada de Vendas para a América Latina da Crystal Intelligence, “o mercado P2P brasileiro reflete tanto inovação quanto desafios regulatórios na região. Com US$ 2,2 trilhões em capacidade de negociação e o Pix em 80% das transações, essas plataformas se consolidam como infraestrutura financeira essencial para milhões de brasileiros.”
O uso intensivo de stablecoins e do Pix também altera a abordagem das autoridades. O Banco Central considera algumas operações com moedas estáveis como transações de câmbio, exigindo relatórios ao Coaf, e a rapidez do Pix facilita o rastreio dessas movimentações.
Novas regras regulatórias em 2026 transformam o setor
Em fevereiro de 2026, a implementação das normas de licenciamento para Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) mudou o panorama do mercado brasileiro. As empresas agora precisam decidir entre se adequar integralmente às regras ou encerrar suas operações no país. Entre as exigências do Banco Central estão a manutenção de capital mínimo, a segregação de ativos e a identificação rigorosa dos clientes, conforme o procedimento de conheça seu cliente (KYC).
De acordo com a análise, as grandes plataformas possuem estrutura e recursos para absorver esses custos de adaptação. Binance e Paxful, com sistemas de compliance globais, estão bem posicionadas para conduzir a transição e manter a liderança. Em contraste, plataformas menores e sem presença local enfrentam alto risco de bloqueio ou exclusão do mercado, enquanto tentam se adequar a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas.
O cenário evidencia que o mercado P2P brasileiro combina inovação tecnológica com desafios regulatórios complexos, moldando a forma como milhões de brasileiros negociam criptomoedas e influenciando diretamente o futuro do setor no país.