Copa do Mundo vira alvo de golpes digitais e preocupa autoridades

O avanço das fraudes ligadas à Copa do Mundo expõe um cenário cada vez mais sofisticado de ataques digitais que já atingem milhões de brasileiros na internet.
A intensificação das golpes digitais relacionadas à Copa do Mundo de 2026 acendeu um alerta entre consumidores, autoridades e especialistas em segurança online. O crescimento desses golpes ocorre em paralelo ao aumento do interesse pelo torneio e à expansão das transações digitais, criando um ambiente propício para ações criminosas mais sofisticadas.
De acordo com levantamento da NordVPN, 34% dos brasileiros conectados à internet relataram ter tido contato com tentativas de golpe envolvendo futebol em 2024 e 2025. O número representa um salto expressivo em comparação ao ciclo anterior da Copa de 2022, quando o índice era de 19%, evidenciando a rápida escalada desse tipo de crime.
O problema não se limita à exposição dos usuários. Dados do Procon-SP mostram uma forte aceleração nas reclamações relacionadas ao evento. Entre março e maio de 2026, foram registrados 238 casos, com crescimento mensal acelerado: 19 em março, 63 em abril e 156 em maio.
Especialistas apontam que esse avanço está diretamente ligado à evolução das ferramentas de ataque. O uso de inteligência artificial generativa reduziu drasticamente o tempo necessário para criação de sites falsos, campanhas de phishing e perfis fraudulentos, tornando os golpes mais rápidos, baratos e difíceis de identificar.
Segundo Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, o cenário atual exige respostas mais rápidas do que nunca. Ele destaca que, no passado, criminosos precisavam de conhecimento técnico e tempo para estruturar ataques, enquanto hoje o processo pode ser feito em poucas horas com ferramentas de IA acessíveis.
Além da velocidade, a personalização dos golpes também evoluiu. Em vez de campanhas genéricas, criminosos utilizam dados vazados como CPF, e-mail e histórico de compras para criar abordagens altamente direcionadas, aumentando a taxa de sucesso das fraudes.
Outro fator de mudança importante está nos meios de pagamento. O Pix passou a ocupar o centro das fraudes digitais, substituindo métodos mais antigos como boletos e cartões. A rapidez e a irreversibilidade das transferências dificultam a recuperação dos valores após o golpe, ampliando o impacto financeiro das vítimas.
O crescimento das fraudes também se reflete na sofisticação das abordagens. Criminosos têm criado marcas falsas que simulam parcerias oficiais da Copa do Mundo e infiltrado grupos de torcedores e colecionadores para construir confiança antes de aplicar golpes, o que torna a identificação ainda mais difícil.
Nas redes sociais, principais portas de entrada para esses crimes, o Instagram lidera com 51% dos casos, seguido por WhatsApp (48%), Facebook (35%) e TikTok (26%), segundo a NordVPN. Entre as fraudes mais comuns estão apostas ilegais, venda de ingressos falsos e produtos falsificados.
O comércio físico também tem sido afetado, especialmente no mercado de colecionáveis. O Procon-SP registrou aumento expressivo de reclamações envolvendo figurinhas e álbuns oficiais, com crescimento de zero casos em março para 109 em maio, além de denúncias de não entrega, ofertas enganosas e produtos diferentes do anunciado.
Outro ponto crítico é o impacto da inteligência artificial na confiança digital. Segundo especialistas, a facilidade de criar imagens, vídeos e documentos falsos gerou uma crise de autenticidade no ambiente online, dificultando a distinção entre conteúdos reais e manipulados.
Diante desse cenário, autoridades como o Procon-SP recomendam cautela na verificação de lojas, CNPJ, reputação de vendedores e condições de compra. Já especialistas reforçam a importância de checar domínios, evitar sites recém-criados e desconfiar de páginas que aceitam apenas Pix, além de observar sinais de urgência artificial em ofertas.
O avanço das fraudes na Copa do Mundo de 2026 demonstra que o problema deixou de ser pontual e passou a representar um desafio estrutural de segurança digital, exigindo atenção constante de consumidores e empresas diante de um ambiente cada vez mais sofisticado e dinâmico.