Dólar recua e anima mercado

O dólar despenca após sinais de alívio geopolítico, gerando recuperação na bolsa e movimentações surpreendentes no petróleo.
O mercado financeiro global registrou um dia de alívio nesta segunda-feira (23), refletindo o recuo de tensões entre Estados Unidos e Irã. O dólar fechou abaixo de R$ 5,25, cotado a R$ 5,24, com queda de 1,29%, enquanto a B3 mostrou forte recuperação: o Ibovespa avançou 2,25%, encerrando o pregão aos 181.931 pontos. Durante o dia, a moeda norte-americana chegou à mínima de R$ 5,21, por volta do meio-dia, e o índice acionário tocou próximo dos 183 mil pontos às 15h38.
O movimento de alívio foi impulsionado por declarações do presidente Donald Trump, que indicou o adiamento de possíveis ataques à infraestrutura energética iraniana e afirmou que um acordo nuclear estava prestes a ser fechado. Dois petroleiros indianos também conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz, contribuindo para reduzir a pressão geopolítica sobre os mercados. Apesar disso, autoridades iranianas negaram a existência de negociações formais, mantendo certa cautela entre investidores.
Moedas emergentes e papéis domésticos em alta
A redução da aversão ao risco fez investidores reduzirem posições defensivas, favorecendo moedas de mercados emergentes, como o real brasileiro. No caso do Ibovespa, o avanço foi liderado por ações de bancos e empresas voltadas ao consumo interno, enquanto os papéis da Petrobras tiveram ganhos mais modestos, pressionados pela queda nos preços do petróleo internacional.
Mesmo com a forte desvalorização do dólar nesta segunda, a moeda acumula alta de 2,08% frente ao real em março. No ano, entretanto, o dólar registra queda de 4,52%, refletindo um cenário misto de volatilidade e recuperação parcial nos mercados financeiros.
Petróleo despenca com expectativa de acordo
O barril do tipo Brent, referência internacional, recuou 10,9%, fechando a US$ 99,94, abaixo da marca de US$ 100 pela primeira vez desde o dia 16 do mês passado. A descompressão nos preços foi alimentada pelo otimismo com a possibilidade de redução de hostilidades no Oriente Médio, mas especialistas alertam que a volatilidade deve continuar diante de sinais contraditórios e da incerteza sobre um cessar-fogo duradouro.
Israel mantém restrições em aeroportos, enquanto os Estados Unidos continuam com movimentações militares na região, reforçando a necessidade de cautela nos mercados.