Bitcoin aparece em golpe milionário que acaba na Justiça em Goiás

Investigação revelou detalhes de um esquema envolvendo promessa de nova moeda digital inspirada no Bitcoin, que terminou com condenações e uma decisão surpreendente no tribunal.
Uma decisão da Justiça em Goiás colocou um ponto importante em um caso envolvendo fraude no mercado de criptomoedas que utilizava a imagem do Bitcoin para atrair investidores. Dois homens foram condenados por estelionato após convencerem um empresário a investir R$ 300 mil em um projeto que prometia lançar uma nova moeda digital no Brasil com potencial de retorno rápido.
A sentença foi proferida pela juíza Gryma Guerreiro Caetano Bento, responsável pelo julgamento na 3ª Vara Criminal da Comarca de Rio Verde. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (18), e a reportagem teve acesso ao documento que detalha as conclusões do processo.
De acordo com os autos, o plano começou a ser estruturado no início de 2018. O advogado identificado como Bruno e o empresário Paulo Almada apresentaram a proposta ao investidor como uma oportunidade de participar da criação de uma nova criptomoeda inspirada no sucesso do Bitcoin. O ativo digital, segundo a proposta inicial, receberia o nome de “Bitcoin Platinum”, denominação que posteriormente foi alterada para “Bitcoin Global”.
Para conferir aparência de legitimidade ao projeto, foi elaborado um contrato de mútuo financeiro, documento que formalizaria o investimento. Com base nesse acordo, o empresário transferiu R$ 300 mil diretamente para a conta bancária vinculada ao escritório de advocacia do próprio advogado envolvido no projeto.
Segundo a investigação, a estrutura do suposto empreendimento previa divisão de responsabilidades. Enquanto o advogado ficaria encarregado da parte jurídica do projeto, Paulo Almada assumiria o papel de responsável pela divulgação e pela área comercial. Conforme relatos apresentados no processo, ele costumava ostentar carros importados e alegava possuir influência política, estratégia utilizada para fortalecer a credibilidade da proposta e atrair confiança do investidor.
Durante as apurações, a Justiça constatou que uma parte significativa do dinheiro transferido nunca foi aplicada no desenvolvimento da criptomoeda. Mais de R$ 130 mil desapareceram sem qualquer comprovação documental de uso no projeto. Ao serem questionados pela vítima, os responsáveis passaram a apresentar justificativas vagas e o lançamento da moeda acabou sendo abandonado.
O processo também envolveu um terceiro investigado, o desenvolvedor Leopoldo Faria de Paula Silva, que acabou tendo um desfecho diferente no julgamento. Após análise das provas, a magistrada concluiu que não havia elementos suficientes para comprovar que ele participou da fraude com intenção criminosa.
Conforme os depoimentos e documentos reunidos durante a investigação, Leopoldo atuava apenas na área técnica do projeto. Os registros indicaram que cerca de R$ 166 mil recebidos por ele foram utilizados na montagem da infraestrutura destinada à mineração da criptomoeda baseada no Bitcoin.
Entre os gastos apresentados estavam a compra de servidores, computadores e equipamentos de climatização, além da preparação de um apartamento alugado que seria utilizado como base para a operação tecnológica do projeto.
Ainda segundo o processo, a iniciativa não avançou porque a etapa final necessária para colocar a moeda em circulação nunca foi concluída. A criação de uma plataforma de negociação — conhecida como exchange — era essencial para que o ativo digital pudesse ser comercializado no mercado.
Essa responsabilidade, conforme apontado nos autos, caberia a Paulo Almada, que havia ficado com a parte restante do dinheiro investido. No entanto, o pagamento da plataforma não foi realizado, o que impediu a continuidade do projeto.
Com a absolvição do programador Leopoldo Faria de Paula Silva, apenas o advogado Bruno e o empresário Paulo Almada foram condenados pelo crime de estelionato. A juíza Gryma Guerreiro Caetano Bento fixou para cada um deles a pena de 1 ano e 2 meses de prisão em regime aberto, além da aplicação de 12 dias-multa.
Por atenderem aos requisitos previstos na legislação penal, os condenados tiveram a pena privativa de liberdade substituída por medidas alternativas. A decisão determinou o pagamento de uma prestação pecuniária equivalente a dois salários mínimos, além de uma multa adicional correspondente a um salário mínimo destinada ao Fundo Penitenciário do Estado de Goiás.
Os réus poderão recorrer da sentença em liberdade enquanto eventuais recursos são analisados pelo Judiciário.
Apesar do prejuízo financeiro significativo sofrido pelo investidor, o tribunal criminal optou por não estabelecer um valor mínimo de indenização no processo penal. A medida foi tomada porque a vítima já havia iniciado anteriormente uma ação na esfera cível para buscar a recuperação do dinheiro.
Esse processo paralelo já se encontra em fase avançada de execução, e o valor atualizado da dívida cobrada judicialmente se aproxima de R$ 1 milhão, considerando correções e encargos acumulados ao longo dos anos.
A reportagem tentou contato com os envolvidos para obter posicionamentos sobre a decisão judicial, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações das partes citadas no processo.
Guerra no Oriente Médio pode fazer com exportação de combustível brasileiro aumente

Expectativa é que a exportação de combustível brasileiro cresça nos próximos meses por conta da Guerra no Oriente Médio, mas setor alimentício deve ser afetado negativamente.
A guerra no Oriente Médio, principalmente envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, influenciou diretamente no preço do barril do petróleo. De acordo com Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a exportação de combustível brasileiro deve aumentar.
“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, disse Brandão.
Por outro lado, se a guerra no Oriente Médio pode influenciar beneficamente a exportação de combustível brasileiro, por outro, alguns setores devem sentir um impacto maior com os conflitos. O setor de alimentos deve ser um dos que mais vai sentir a queda nas exportações. Vale destacar que produtos como carne de frango e bovina, milho, açúcar e produtos halal (produzidos conforme as normas islâmicas) são vendidos ao Oriente Médio.
Em termos percentuais, segundo o Mdic, aproximadamente 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino o Oriente Médio. Já a participação chega a 30% no caso da carne de aves, 17% para o açúcar e 7% para a carne bovina. Ainda assim, Brandão diz que a queda será apenas momentânea e que a demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer e os fluxos tendem a se normalizar à medida que os conflitos diminuam.
Petróleo dispara após tensão no Oriente Médio

Especialistas alertam que a alta do petróleo pode gerar efeitos imediatos na inflação e nos mercados globais.
O mercado internacional de petróleo registrou fortes altas nesta segunda-feira (2), reagindo diretamente à ofensiva militar coordenada pelos Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. O ataque resultou na morte de centenas de pessoas, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, além de outras autoridades de alto escalão. O temor de desestabilização na região elevou rapidamente os preços da commodity, refletindo a volatilidade típica em cenários de conflito geopolítico.
Por volta do meio-dia, o barril do petróleo Brent, referência global, era negociado em Londres próximo a US$ 79, registrando alta de aproximadamente 7,6%. Nos Estados Unidos, o WTI, índice de referência norte-americano, atingiu pouco mais de US$ 71 o barril, avanço de cerca de 6%. A movimentação ocorre em um mercado que opera praticamente 24 horas por dia nos dias úteis, ajustando cotações de acordo com o sentimento dos investidores frente a eventos econômicos e políticos.
No Brasil, o impacto das cotações internacionais também se fez sentir. Por volta das 13h, os papéis da Petrobras subiam 3,90% na B3, cotados a R$ 44,39, acompanhando a tendência global de valorização da commodity.
Especialistas destacam que a tensão se concentra no Estreito de Ormuz, rota estratégica ao sul do Irã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e concentra cerca de 20% do transporte marítimo de petróleo e gás do planeta. Segundo Rodolpho Sartori, economista da Austin Rating, qualquer interrupção na passagem teria efeito imediato sobre os preços internacionais. “É o principal fator que faz o preço do petróleo disparar. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai drasticamente e os valores sobem quase que de forma imediata”, explica.
O bloqueio parcial do estreito já se mostrou sensível no último sábado, quando centenas de embarcações permaneceram ancoradas, impossibilitadas de atravessar. O economista ressalta que a valorização do barril Brent, que chegou a subir 13% e superar US$ 80, reflete a extrema volatilidade do mercado em tempos de conflito e deve manter os preços elevados enquanto a situação permanecer instável.
Do ponto de vista logístico, Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval, reforça que o principal risco não é a produção em si, mas o transporte da commodity. Ele observa que a Opep+ anunciou aumento da produção para compensar possíveis interrupções, e que a organização possui capacidade ociosa suficiente para suprir o Irã caso seja necessário. Contudo, segundo Oliveira, qualquer conflito na região, dada a estreiteza do Estreito de Ormuz, pode interromper o fluxo global de petróleo com impacto imediato nas cadeias produtivas. “Mesmo o Brasil, produtor de petróleo, poderia ser afetado, já que depende da importação de derivados que ficariam mais caros”, afirma.
O aumento nos preços do petróleo pode refletir diretamente na inflação global. Sartori aponta que, caso o conflito se prolongue, a escalada das cotações deve levar ao repasse de custos aos consumidores, provocando um “repique na inflação”. A instabilidade também pode afetar decisões de política monetária no Brasil: Oliveira não descarta que a alta do preço da commodity possa reduzir a magnitude do corte de juros previsto pelo Copom, que atualmente mantém a Selic em 15% ao ano. A expectativa inicial era de recuo de 0,50 ponto percentual, mas a alteração pode ser mais tímida, em torno de 0,25 ponto percentual, como forma de conter pressões inflacionárias.
Além do petróleo, o dólar registrou alta nesta segunda-feira, interrompendo semanas de queda que levaram a moeda norte-americana ao menor valor em 21 meses. Próximo do meio-dia, a cotação do dólar era de R$ 5,20, avanço próximo a 1%. Oliveira explica que o movimento reflete a chamada “fuga do risco”, quando investidores transferem recursos de mercados emergentes, considerados mais voláteis, para ativos mais seguros, como o próprio dólar e moedas de refúgio, como o iene japonês. Sartori complementa que, apesar da volatilidade, o dólar não apresenta mais a valorização abrupta observada em crises anteriores e deve oscilar na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,25 enquanto o conflito persistir.
Previsão de inflação recua para 3,95%

Previsão de inflação apresentou recuo e previsão do PIB se manteve estável.
A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 3,97% para 3,95% em 2026. O dado consta no boletim Focus divulgado nesta quarta-feira (18), levantamento semanal do Banco Central (BC) que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia.
Para 2027, a estimativa de inflação permaneceu em 3,8%. Já para 2028 e 2029, as projeções indicam variação de 3,5% em ambos os anos. Pela sexta semana consecutiva, houve redução na previsão da inflação para 2026, que segue dentro do intervalo estabelecido pela meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, entre 1,5% e 4,5%.
Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a desaceleração da inflação e a queda do dólar, o comitê manteve a taxa inalterada pela quinta reunião consecutiva, decisão tomada no fim de janeiro.
Esse patamar é o mais elevado desde julho de 2006, quando os juros estavam em 15,25% ao ano. Em comunicado, o Copom sinalizou a possibilidade de iniciar cortes na taxa a partir da reunião de março, desde que o cenário inflacionário permaneça estável e não ocorram surpresas na economia.
PIB e câmbio
Ainda de acordo com o boletim Focus, a projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,8%. Para 2027, a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) também permanece em 1,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de expansão de 2% em ambos os anos.
Impulsionada pelos setores industrial e agropecuário, a economia brasileira avançou 0,1% no terceiro trimestre de 2025, resultado considerado de estabilidade pelo IBGE. A divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para o dia 3 de março.
Criptomoedas crescem trilhões no Brasil

O mercado P2P mostra por que a Binance domina grande parte das transações e como isso impacta investidores de criptomoedas.
O mercado peer-to-peer (P2P) de bitcoin e outras criptomoedas no Brasil alcança volumes impressionantes, movimentando cerca de US$ 2,22 trilhões. Um levantamento recente da Crystal Intelligence, divulgado nesta terça-feira (17), identificou 1.641 anúncios ativos distribuídos em nove plataformas, mostrando a força e a relevância desse setor no país.
O controle do mercado é concentrado, com a Binance à frente, respondendo por 45,1% de todas as ofertas disponíveis. A Paxful ocupa a segunda posição, com 19,1%, seguida pela Noones, que representa 14,3% do total. Corretoras menores disputam a fatia restante, mas enfrentam desafios para ganhar relevância frente às líderes do setor. Juntas, as três maiores plataformas concentram 78,5% de toda a atividade P2P nacional, evidenciando a forte centralização do mercado.
Essa concentração impacta diretamente a dinâmica de preços e o acesso de milhões de investidores. Empresas menores, como ByBit e OKX, têm participação limitada e encontram custos mais altos para competir, enquanto os players dominantes moldam grande parte das negociações.
Pix e USDT dominam transações
No país, o Pix se tornou o principal método de pagamento em negociações de criptomoedas, figurando em cerca de 80% dos anúncios monitorados. Sua rapidez e liquidação instantânea tornam o mercado P2P altamente eficiente e competitivo frente às exchanges tradicionais. Paralelamente, a preferência dos investidores recai sobre moedas estáveis: o USDT lidera com 46,2% de todas as transações, garantindo paridade com o dólar, proteção do poder de compra e facilidade para transferências de valor.
Segundo Zuzanna Kolucka Maeji, Diretora Associada de Vendas para a América Latina da Crystal Intelligence, “o mercado P2P brasileiro reflete tanto inovação quanto desafios regulatórios na região. Com US$ 2,2 trilhões em capacidade de negociação e o Pix em 80% das transações, essas plataformas se consolidam como infraestrutura financeira essencial para milhões de brasileiros.”
O uso intensivo de stablecoins e do Pix também altera a abordagem das autoridades. O Banco Central considera algumas operações com moedas estáveis como transações de câmbio, exigindo relatórios ao Coaf, e a rapidez do Pix facilita o rastreio dessas movimentações.
Novas regras regulatórias em 2026 transformam o setor
Em fevereiro de 2026, a implementação das normas de licenciamento para Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) mudou o panorama do mercado brasileiro. As empresas agora precisam decidir entre se adequar integralmente às regras ou encerrar suas operações no país. Entre as exigências do Banco Central estão a manutenção de capital mínimo, a segregação de ativos e a identificação rigorosa dos clientes, conforme o procedimento de conheça seu cliente (KYC).
De acordo com a análise, as grandes plataformas possuem estrutura e recursos para absorver esses custos de adaptação. Binance e Paxful, com sistemas de compliance globais, estão bem posicionadas para conduzir a transição e manter a liderança. Em contraste, plataformas menores e sem presença local enfrentam alto risco de bloqueio ou exclusão do mercado, enquanto tentam se adequar a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas.
O cenário evidencia que o mercado P2P brasileiro combina inovação tecnológica com desafios regulatórios complexos, moldando a forma como milhões de brasileiros negociam criptomoedas e influenciando diretamente o futuro do setor no país.
USDT terá mapa de uso global

Com a nova plataforma, investidores e empresas poderão explorar onde e como o USDT circula no mundo, revelando detalhes inéditos do dólar digital.
A Tether deu um passo estratégico para reforçar a transparência do mercado de criptoativos ao lançar, em fevereiro de 2026, o “Diretório Tether”, uma plataforma pública que mapeia a circulação do dólar digital (USDT) no mundo. A novidade foi apresentada por Paolo Ardoino, CEO da companhia, durante o Fórum Plan ₿ 2026, em El Salvador, destacando a crescente relevância do USDT em transações globais e seu papel além da especulação financeira.
Desenvolvido em parceria com a The Grid, empresa especializada em inteligência de dados para a Web3, o diretório oferece aos investidores, reguladores e desenvolvedores uma visão detalhada das integrações do USDT. Usuários podem consultar corretoras, carteiras digitais, processadores de pagamento e provedores de infraestrutura que utilizam a stablecoin em operações do dia a dia, criando um panorama preciso sobre sua aplicação prática.
O USDT, com valor de mercado superior a US$ 186 bilhões, deixou de ser apenas um instrumento de negociação especulativa, consolidando-se como um ativo funcional que movimenta bilhões em transações globalmente. O diretório registra e valida cada conexão, provando a utilidade real do token em diferentes setores e países, reforçando a confiança no ecossistema de criptoativos.
Segundo Ardoino, o dólar digital não existe isoladamente, mas faz parte de um amplo conjunto de ferramentas construídas por equipes independentes em todo o mundo. Tornar esse ecossistema navegável e transparente é essencial para documentar a presença do USDT no cotidiano financeiro das pessoas. “Facilitar o acesso ao universo Tether é crucial à medida que o USDT se torna cada vez mais presente nas transações diárias. Este diretório mostra como o USD₮ e outros produtos Tether são utilizados globalmente”, afirmou o executivo.
A plataforma permite buscas segmentadas por categorias, tipos de produtos e ativos compatíveis, além de aceitar submissões de novas empresas. Cada cadastro passa por um processo rigoroso de verificação, garantindo que o diretório reflita apenas o uso real do USDT e evitando listagens meramente promocionais.
Atualmente, o projeto funciona como uma prova de conceito pública, e a Tether planeja expandir a base de dados gradualmente, à medida que novas integrações surgirem no mercado. Empresas que já operam com o dólar digital podem reivindicar seus perfis no site oficial, integrando o atlas global do USDT e contribuindo para a documentação da onipresença da moeda digital no cenário financeiro internacional.
IOF sobre criptomoedas preocupa investidores

A nova cobrança do tributo pelo Governo do Brasil levanta dúvidas jurídicas e pode impactar a forma como criptomoedas são negociados no país.
O Governo do Brasil planeja a cobrança de IOF sobre operações com criptomoedas em 2026, gerando discussões no mercado financeiro e entre investidores de criptomoedas. A proposta prevê a aplicação de uma alíquota de 3,5% sobre a compra de moedas digitais, em um momento em que o setor ainda busca consolidação regulatória e estabilidade jurídica no país. Embora a medida seja apresentada como uma tentativa de uniformizar a tributação, ela desperta questionamentos sobre segurança normativa e limites do poder regulamentar.
O IOF é um tributo federal previsto em lei, incidindo de forma específica sobre crédito, câmbio, seguros e títulos ou valores mobiliários, com regulamentação operacional por decreto. A extensão dessa cobrança a criptoativos — que não se enquadram formalmente como moeda estrangeira nem se confundem com operações tradicionais de câmbio — pode gerar controvérsias quanto à legalidade do enquadramento. Especialistas apontam que qualquer ampliação do alcance do tributo sem previsão legal expressa tende a gerar debates judiciais, especialmente se a aquisição de criptoativos for interpretada como um novo fato gerador.
A proposta ainda prevê isenção de IOF para operações de até R$ 10 mil, destinada a reduzir impactos sobre pequenos investidores. Apesar de representar uma proteção relativa para esse público, o mecanismo enfrenta limitações práticas, como o risco de fracionamento de transações para reduzir a carga tributária, exigindo fiscalização mais rigorosa. Além disso, a operacionalização dessa isenção demandaria sistemas robustos de monitoramento por CPF e por períodos específicos, aumentando os custos de compliance para plataformas de criptoativos e dificultando a implementação prática da medida.
A discussão também envolve a própria definição jurídica do objeto tributado. Criptomoedas e stablecoins não se configuram, em regra, como moeda estrangeira, o que gera uma tensão entre a interpretação administrativa e o texto legal do IOF. A interpretação de que a compra de criptoativos poderia ser considerada operação de câmbio é baseada em entendimentos do Banco Central e decisões recentes da autoridade, e não na letra da lei, abrindo espaço para debates sobre a adequação do enquadramento tributário.
Além dos impactos tributários imediatos, a implementação do IOF sobre criptoativos pode influenciar o desenvolvimento do mercado digital brasileiro. Em um setor que ainda busca previsibilidade e estabilidade regulatória, qualquer medida mal estruturada pode gerar insegurança jurídica, aumentar o número de litígios e afetar a inovação tecnológica. Investidores, plataformas e especialistas acompanham de perto a evolução da proposta, avaliando tanto os riscos quanto as oportunidades de adaptação às novas regras.
O cenário sugere que o governo precisará equilibrar a arrecadação com a manutenção de um ambiente favorável à inovação e à entrada de novos participantes no mercado cripto. Estratégias claras, comunicação transparente e definição precisa do alcance do tributo serão essenciais para evitar impactos negativos sobre o crescimento do setor, mantendo a confiança de investidores e empresas que operam com ativos digitais no país.
TJRN estabelece novas regras para criptomoedas

Com impacto direto no mercado de criptomoedas, decisão do TJRN pode mudar a forma como processos judiciais lidam com exchanges e investidores no estado.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) passou a adotar novas diretrizes para o tratamento de criptomoedas em processos judiciais. A regulamentação, formalizada por meio do Provimento nº 01/26 da Corregedoria-Geral de Justiça, estabelece regras específicas para rastreamento, bloqueio, apreensão, custódia, liquidação e destinação de criptoativos vinculados a ações que tramitam no estado.
A norma já está em vigor desde sua publicação, ocorrida na quarta-feira (11), com efeitos aplicáveis a partir de 2 de fevereiro. O texto foi assinado pela desembargadora Sandra Simões de Souza Dantas Elali e alcança Varas Cíveis, Criminais, de Execução Fiscal e de Falências, ampliando o alcance das medidas judiciais sobre ativos digitais no Rio Grande do Norte.
Um dos pontos centrais da regulamentação determina que apenas corretoras de criptomoedas formalmente autorizadas e supervisionadas pelo Banco Central do Brasil poderão produzir efeitos jurídicos perante o juízo. Exchanges, custodians e demais intermediários classificados como VASPs (Prestadores de Serviços de Ativos Virtuais) precisarão cumprir as exigências previstas na Lei nº 14.478/2022, no Decreto nº 11.563/2023 e nas Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, além de outras normas infralegais aplicáveis.
Na prática, a medida reforça que bloqueios e ordens judiciais envolvendo criptomoedas deverão ser direcionados a empresas inseridas no sistema regulatório nacional. O entendimento acompanha o reconhecimento do Banco Central de que as exchanges integram o rol de entidades sujeitas à supervisão oficial, fortalecendo a base legal para exigir cooperação dessas plataformas em investigações e execuções judiciais.
A fundamentação do provimento também cita posicionamento consolidado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece os criptoativos como bens com valor econômico e integrantes do patrimônio do devedor. Com isso, as criptomoedas passam a ser expressamente consideradas passíveis de penhora, o que legitima medidas de constrição patrimonial no ambiente digital.
Outro elemento relevante mencionado na justificativa é a criação do sistema CriptoJud pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A ferramenta, ainda em fase de implementação, deverá funcionar de forma semelhante ao Sisbajud, permitindo o envio automatizado de ordens às corretoras para agilizar o bloqueio de criptomoedas mantidas em plataformas nacionais.
A edição do provimento ocorre em um contexto de lacuna normativa nos códigos de processo civil e penal, que ainda não contemplam de forma detalhada procedimentos específicos para criptoativos. Diante dessa ausência, a Corregedoria do TJRN optou por disciplinar administrativamente o tema, buscando padronizar práticas e conferir maior segurança jurídica às decisões envolvendo ativos digitais.
Com a nova regulamentação, o Rio Grande do Norte se soma a outros estados brasileiros que vêm estruturando mecanismos formais para lidar com criptomoedas no Judiciário. A medida sinaliza uma consolidação do entendimento de que ativos virtuais integram o sistema econômico formal e estão sujeitos às mesmas obrigações legais aplicáveis a outros bens de valor patrimonial.
Tether surpreende em desafio global de IA

Em meio aos avanços da inteligência artificial, a Tether ganha destaque internacional com um feito que pode mudar o debate sobre privacidade e tecnologia descentralizada.
A Tether, empresa responsável pela emissão da stablecoin USDT — a maior criptomoeda atrelada ao dólar em valor de mercado — voltou a ganhar destaque, desta vez fora do universo estritamente financeiro. A companhia anunciou que conquistou a quarta colocação no “Brain-to-Text ’25”, competição internacional promovida pela plataforma Kaggle e voltada ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial capazes de converter sinais neurais em texto compreensível.
O resultado foi alcançado por meio da Tether EVO, divisão dedicada a pesquisas de fronteira na interseção entre biotecnologia e aprendizado de máquina. A equipe superou mais de 460 participantes, incluindo grupos formados por cientistas de dados e instituições acadêmicas de ponta, consolidando sua posição em um dos segmentos mais complexos da inovação tecnológica: as interfaces cérebro-computador.
O desafio impôs um nível elevado de sofisticação técnica. Os competidores precisaram transformar 256 canais simultâneos de atividade neural bruta em linguagem estruturada e fluente, sem o auxílio de alinhamento temporal preciso. Para isso, a Tether EVO utilizou registros de eletrocorticografia (ECoG) na decodificação dos padrões cerebrais, demonstrando robustez na interpretação de dados neurais de alta dimensionalidade.
Além do desempenho na competição, o projeto serviu como validação do modelo tecnológico adotado pela empresa. A arquitetura segue a abordagem conhecida como “local-first”, na qual o processamento ocorre diretamente no dispositivo do usuário, reduzindo a dependência de grandes servidores centralizados. Essa escolha não apenas diminui a latência, como também reforça a proteção de dados sensíveis, especialmente em aplicações que lidam com informações neurais.
Segundo Paolo Ardoino, CEO da Tether, a próxima etapa da evolução tecnológica envolve a convergência entre o potencial do aprendizado de máquina e a singularidade do cérebro humano. Para o executivo, avanços em inteligência artificial aplicados à neurociência devem preservar a autonomia individual, mantendo o controle das informações sob responsabilidade do próprio usuário, e não de grandes data centers com acesso a dados extremamente íntimos.
A estratégia da empresa também carrega uma crítica implícita ao modelo predominante das Big Techs. Ao defender sistemas mais eficientes e descentralizados, a Tether sustenta que alto desempenho computacional não exige necessariamente infraestruturas massivas ou concentração de poder tecnológico. O objetivo é demonstrar que inovação em inteligência artificial pode caminhar lado a lado com soberania digital.
A Tether EVO concentra suas pesquisas no desenvolvimento de neuropróteses e soluções de interface cérebro-computador, explorando a convergência entre biologia e algoritmos avançados. O compromisso com a inteligência descentralizada, segundo a companhia, garante que a tecnologia atue como instrumento de liberdade e ampliação das capacidades humanas — e não como mecanismo de controle.
Com o resultado no “Brain-to-Text ’25”, a empresa transforma um desempenho técnico em prova de conceito de uma infraestrutura voltada à preservação da soberania individual. Em um cenário global no qual inteligência artificial, privacidade e descentralização se tornaram temas centrais, a iniciativa posiciona a Tether como protagonista em um debate que vai além do mercado de criptomoedas e alcança o futuro da interação entre mente e máquina.
Dólar apresenta queda e registra menor valor dos últimos 21 meses

Com a queda de hoje, dólar apresenta o seu menor valor em quase dois anos.
O preço do dólar fechou em queda nesta segunda-feira (09). A moeda norte-americana registrou uma queda de 0,62%%, ou seja, R$ 0,032, tendo alcançado a marca de R$ 5,18. A cotação iniciou o dia de forma estável, chegou a cair para R$ 5,17 no início da tarde, mas fechou o dia um centavo acima. Chama a atenção que com a queda atual a moeda estadunidense está no menor nível desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15, sendo que somente em 2026 já houve um recuo de 5,47%.
Outro ponto que chamou a atenção nesta segunda-feira foi a bolsa de valores brasileira, a B3. O índice Ibovespa, fechou aos 186.241 pontos, com alta de 1,8% e registrando recorde. O indicador foi puxado por ações de bancos, de petroleiras e de mineradoras, setores com maior peso no índice. Somente em 2026, a bolsa brasileira já acumula um crescimento de 15,69%.
Entre os principais fatores que fizeram o dólar recuar e a bolsa de valores subir foi a confirmação da eleição de Sanae Takaichi como primeira ministra do Japão. Além disso, o grande diferencial foi a recomendação do governo da China de que bancos privados reduzam a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O país asiático é o maior detentor de papéis estadunidenses e pretende diversificar as reservas internacionais.